De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius De Moraes - 1939
Não poderia de postar em meu blog uma das poesias mais bela, um verdadeiro clássico de um dos maiores poetas que já tivemos: Vinícius de Moraes, que com todo seu romântismo e espontaneidade publicou páginas extraordinárias.
Como dizia Manuel Bandeira, Vinícius "tem o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos, e finalmente, homem bem do seu tempo, a liberdade, a licença, o explêndido cinismo dos modernos".